Esclarecimento

A Santa Casa da Misericórdia de Ovar teve conhecimento de uma comunicação da secção de Ovar do Bloco de Esquerda dirigida a várias entidades, entre as quais a Proteção Civil, Delegação de Saúde, Assembleia Municipal e Câmara Municipal de Ovar. Nesta comunicação há referências apontadas que merecem ser contrapostas com factos.

Antes de mais uma palavra de agradecimento aqueles que verdadeiramente querem ajudar a Misericórdia. Têm sido muitos, da nossa comunidade, e de fora do concelho, que com palavras de encorajamento e de reconhecimento nos têm alentado e suportado nestes dias tão estranhos e difíceis que estamos a passar. Outros que, através de dádivas e ofertas materiais nos ajudam a melhorar as condições de segurança e conforto aos colaboradores e idosos. O que menos precisamos é de informações alarmistas que tanto podem perturbar as famílias, os trabalhadores e a comunidade.

Relativamente ao conteúdo da comunicação há a esclarecer com factos:

1 – O número de óbitos com Covid-19 é de 3, à data e hora deste esclarecimento, conforme os registos oficiais;

2- Os doente integrantes do Centro de Dia são objeto de cuidados diários de higiene, conforme protocolo da Instituição e que cumpre normativos com referencias internacionais. O banho de chuveiro ou de imersão, além de impraticável nas condições atuais, não é recomendado pelas autoridades de saúde dado provocarem a formação e consequente dispersão do vírus através dos aerossóis que este tipo de higiene provocariam;

3- Após o extraordinário esforço de dezassete dias provocado pelo confinamento voluntário, as enfermeiras retomaram um horário mais próximo do existente anteriormente. Dadas as circunstâncias sabemos que, mesmo assim, o esforço físico e emocional continua enorme. As enfermeiras, as ajudantes de lar, bem como muitos dos nossos outros trabalhadores são também os nossos grandes heróis da comunidade.

4- O número de funcionárias do lar testadas positivamente é de sete, encontrando-se em respetiva quarentena. Continuamos há dez dias à espera dos resultados dos testes efetuados às funcionárias da Casa de S. Tomé;

5- Os funcionários e idosos do lar não estão ao abandono. A comunicação entre a Direção e as trabalhadoras tem sido constante. Temos proporcionado aos idosos toda a atenção e conforto possível dadas as circunstâncias. A imposição de isolamento nos quartos, com exceções raras, é uma situação desequilibradora para eles mas, infelizmente, necessária;

6- Obviamente temos resistido a aceitar o retorno dos hospitalizados. Afinal o nosso grito dos últimos dias tem sido : ” o lar não é um hospital!”, mas acabamos por ter de os aceitar, já que legalmente não poderíamos recusar;

7- Mantêm-se ao serviço as duas médicas que dão apoio aos nossos lares, as quais apesar das limitações horárias, têm prestado um inigualável serviço à Misericórdia.

8- Finalmente dizer que a nossa política de comunicação foi, e será sempre, a de abertura e verdade. Todos os que pediram informações, designadamente as famílias dos idosos, as autoridades, a comunicação social, bem como quaisquer outras entidades, respeitando sempre a política de proteção de dados que a lei impõe, foram extensamente informados da situação. Àqueles que a não pediram, obviamente tal não foi fornecido. Diariamente estamos em ligação com as Autoridades locais de Saúde, de Proteção Civil, com a Câmara Municipal, bem como com a União das Misericórdias Portuguesas. Também diariamente temos de dar à Segurança Social uma extensa informação sobre a situação do nosso lar.

Ovar, 11 de Abril de 2020.

A Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Ovar